As diferenças entre síndrome de burnout, estresse e depressão

- Nem todo estresse é patológico. Estresse, depressão e síndrome de burnout são três coisas bastantes distintas. Entenda as diferenças e saiba reconhecer os sintomas de cada uma delas! Confira na matéria.

Você sabe o que é a síndrome de burnout? Em 2019, a Organização Mundial da Saúde a incluiu em sua 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Apesar das semelhanças, muitas pessoas ainda podem confundir essa síndrome com depressão e estresse, que são coisas completamente diferentes. 

Quer entender melhor as diferenças sobre essas três condições? Confira na matéria!

A SÍNDROME DE BURNOUT E SEUS SINTOMAS

A síndrome de burnout, apesar de não considerada propriamente como uma “doença”, é uma consequência do estresse ocupacional crônico. Em outras palavras, Burnout é considerado um transtorno de exaustão causado pelo ambiente de trabalho. 

Parece inevitável associar “trabalho” a “estresse”, mas o Burnout ocorre quando não há devida gerência sobre esses fatores. Seja numa Residência Médica, ou no internato, a carga de trabalho deve ser manejada para não comprometer a saúde mental do médico. 

De acordo com as definições estabelecidas no CID-11, as características da síndrome são:

  • Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;

  • Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e

  • Redução da eficácia profissional. 

 

Embora ela ainda não seja classificada como “patologia”, especialistas estão discutindo soluções para prevenir a condição que afeta a saúde mental de aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros. 

O SINTOMA DO ESTRESSE

Ao contrário do que alguns possam acreditar, o estresse também não é uma patologia. Na verdade, ele nem está categorizado na Classificação Internacional das Doenças, apenas classifica outras condições na seção 6 do CID-11 —de Transtornos Mentais, Comportamentais ou de Neurodesenvolvimento. Segundo a medicina, o estresse é uma reação fisiológica desgastante de adaptação do organismo.

Apesar de natural a vida humana, a tolerância ao estresse deve ser trabalhada constantemente para não ocasionar outros problemas, tal como a síndrome de burnout. Além da irritabilidade e outros efeitos emocionais na pessoa, o estresse também é identificado por outros sintomas:

  • Dificuldade de concentração;

  • Problemas de memória;

  • Dor de cabeça constante e/ou enxaqueca;

  • Dores musculares;

  • Desconforto e problemas intestinais;

  • Náusea e/ou tontura; e

  • Batimento cardíaco acelerado e/ou dores no peito.

 

Psiquiatras, clínicos gerais, cardiologistas, pneumologistas e até endocrinologistas  recebem pacientes com esses sintomas. E, geralmente, todos recomendam tratamentos paliativos para os sintomas, embora o melhor fosse solucionar a causa do transtorno. Claro que os médicos não podem atuar sobre o escopo da vida inteira de um ser humano, mas é importante lembrar que o estresse é consequência e não causa.

A DEPRESSÃO E SEUS SINTOMAS

No lado mais grave do espectro neuropatológico temos a depressão.  Ela sim, é uma doença psiquiátrica crônica, que afeta pessoas de todas as idades. Como o nome já indica, é uma alteração do humor caracterizada por uma profunda e constante tristeza. Normalmente também acompanham sentimentos como mágoa, desesperança, baixa autoestima e culpa. 

No Brasil, a depressão afeta 5,8% da população e é um fator agravante para o aumento de suicídios no país. Infelizmente, é um transtorno que tem se tornado cada vez mais comum e que precisa de atenção —especialmente para a realidade dos estudantes de Medicina. Fique de olho nos sintomas mais comuns de quem tem depressão:

  • Perda ou ganho não intencional de peso;

  • Frequente insônia ou sonolência excessiva;

  • Frequente dificuldades psicomotoras (agitação ou apatia);

  • Cansaço e fadiga constante;

  • Sentimento constante de culpa e inutilidade;

  • Dificuldade de concentração;

  • Alteração de libído;

  • Baixa autoestima, e

  • Pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.

 

A manifestação da depressão pode variar dependendo do caso, mas seja qual for o nível do transtorno, é importante que o tratamento comece o quanto antes, pois é um processo que pode demorar. Em casos menos severos, as psicoterapias são o mais indicado, porém quanto mais agudo o quadro depressivo, mais importante é a medicação de um psiquiatra.

 

SAÚDE MENTAL NA MEDICINA

Não é novidade para ninguém que a carreira médica é uma das que mais sofre com o desgaste emocional. A exigência por tanto estudo e comprometimento é justificável pela preocupação paciente. Ninguém quer pôr a vida em jogo nas mãos de uma pessoa sem qualificação. Contudo, a pressão que esses profissionais e estudantes da área convivem merece muita atenção.

Desde o vestibular ultraconcorrido, passando pelas matérias puxadas na faculdade, às atividades extracurriculares para  incrementar o currículo, o internato e a Residência que exigem conciliação entre estudos e trabalho, sem mencionar os cursos complementares de atualização, congressos, ligas e pesquisas. Isso tudo é só sobre a formação de um médico. 

Ainda há a pressão do trabalho: o contato com doenças infectocontagiosas; a insalubridade de muitas instituições de saúde; o atrito social dentro do ambiente de trabalho; o zelo pela vida do paciente; a carga horária extensa; a falta de material em determinados lugares; entre outros fatores que pesam sobre o exercício da profissão. Quem trabalha com Medicina vive um estresse que nem todos enxergam.

AJUDE OU BUSQUE AJUDA

Se você acha que sofre ou conhece alguém que sofre de alguma dessas condições, busque ajuda adequada o quanto antes. Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde mental devem ser acionados o mais cedo possível para que possam cuidar da situação antes dela se tornar fatal. E, considerando as sequelas fisiológicas provocadas pelo desgaste emocional, estamos falando de fatalidades além do suicídio.

Como médico, sua profissão valoriza a integridade da vida e, portanto, deve se atentar aos fatores que possam pôr isso em risco. Tanto em si mesmo, quanto nas pessoas, sejam elas pacientes, colegas ou familiares.

E você? Tem se cuidado? Já passou por algo assim? Conhece alguém que já?

A vida de Medicina não é fácil, mas ela não pode ser um sacrifício.

 

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